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AI-5 e outras repressões...

Chico se interessava por política, mas tentava não se comprometer muito. Participou apenas da famosa Passeata dos Cem Mil, no Rio de Janeiro em 1968, que reuniu estudantes, artistas e intelectuais em um protesto contra a ditadura militar.

Dias após a decretação do Ato Institucional nº 5, de 13 de dezembro, o cantor foi detido em sua própria casa e levado ao Ministério do Exército para prestar depoimento sobre a sua participação na passeata dos cem mil e sobre as cenas exibidas na peça Roda viva, consideradas subversivas.

chico_250Com autorização do exército, deixou o país em 1969 rumo a um auto-exílio na Itália. Lá lançou dois LPs, sendo um deles em italiano, Per um Pugno di Samba, traduzido para Por um Punhado de Dólar. O que realmente estava precisando - de dinheiro!

De volta em 1970, compõe “Apesar de Você”, uma resposta crítica ao regime ditatorial no qual o país ainda estava enfrentando e que se tornou uma espécie de hino da resistência ao regime. Em 1973 escreve com Ruy Guerra, sua segunda peça – Calabar, também proibida pela censura, liberada apenas seis anos depois.

Compôs também muitas canções para filmes e peças. Seu primeiro trabalho para o cinema foi em 1966 no filme Anjo Assassino, de Dionisio Azevedo. Escreveu os roteiros de Os Saltimbancos Trapalhões, de J. B. Tanko, em 1967.

Participou do repertório e também como ator do filme Quando o Carnaval Chegar, de Cacá Diegues, vivendo o protagonista ao lado de Nara Leão e Maria Bethânia, em 1972 – além de organizar as batidas de bola nos intervalos das filmagens. No filme República dos Assassinos, de Miguel Faria Jr., em 1979 colocou no roteiro as canções “Sob Medida” e “Não Sonho Mais”. No mesmo ano compôs “Bye Bye Brasil", para o longa de mesmo nome dirigido por Cáca Diegues.

Fez a canção “O que Será”, para Dona Flor e Seus Dois Maridos, de Bruno Barreto em 1976. Atuou também em Vai Trabalhar Vagabundo II – A Volta, de Hugo Carvana, em 1991; O Mandarim, de Júlio Bressane, em 1995; Ed Mort, de Alain Fresnot, de1996;e em Água e Sal, de Teresa Villaverde, em 2001.

Escreveu entre peças e livros, as obras: Roda Viva (1967); Calabar (1973); Fazenda Modelo (1974); Gota D´água (1975); Ópera do Malandro (1978); Chapeuzinho Amarelo (1979); A Bordo do Rui Barbosa (1981) – junto com Vallandro Keating; Estorvo (1991) – com o qual ganhou o Prêmio Jabuti de Literatura e uma versão para o cinema em 2000; Benjamin (1995) – transformado em filme no mesmo ano de Estorvo; Budapeste (2003), que também ganhou versão nas grandes telas, além de ter sido traduzido para mais de seis idiomas; e Leite Derramado (2009).

Em 1975 fez uma longa temporada de shows no Canecão, Rio de Janeiro, ao lado de Maria Bethânia e depois ficou cerca de nove anos sem encarar profissionalmente um palco. No mesmo ano ganhou o Prêmio Molière como melhor autor teatral pelo texto Gota D´água, porém em protesto contra a censura, que proibira peças de vários autores, não compareceu à cerimônia de entrega dos prêmios.

Três anos mais tarde, Chico foi chamado para ser jurado do Prêmio Literário da Casa da América, em Cuba. Aproveitou a oportunidade de estar lá e fez uma versão para a música “Canción por la Unidad Latinoamericana”, de Pablo Milanés, tentando iniciar um processo de aproximação cultural entre Cuba e Brasil.

Quando volta ao seu país natal é surpreendido pelo DOPS e detido junto com sua mulher, Marieta, a fim de prestar depoimento esclarecendo sua visita à ilha.

Ganhou em 1980 um documentário sobre sua vida produzido pelo cineasta argentino Maurício Berú, intitulado Certas Palavras; e três anos depois compõe o samba “Vai Passar”, que se tornaria a música referência na campanha Diretas Já.

De volta aos palcos em 1984, Chico se apresenta no Luna Park, em Buenos Aires e recebe a visita surpresa do seu ídolo Pagão, ex-jogador do Santos Futebol Clube, durante as gravações de um especial para a TV Bandeirantes, no mesmo ano.

chico17_485_01Atraído por trabalhos que divulgem a realidade do povo brasileiro, gravou em 1997 um álbum para o livro Terra, do fotógrafo Sebastião Salgado, publicado com o texto de José Saramago e lançado na véspera do aniversário do massacre de trabalhadores sem-teto em Eldorado dos Carajás, no norte do Brasil.

Chico com sua grande facilidade em compor no "eu-feminino", já escreveu algumas canções de sucesso como “Com Açúcar, com Afeto”, feita a pedido de sua amiga Nara Leão; “Bárbara”; “Folhetim”; “O Meu Amor”; “Bastidores” e “Meu Namorado”.

No lado social de Chico, entre as várias ações que já abraçou, uma que pode ser citada é a passeata em defesa da legalização das drogas como forma de desmantelar o tráfico, no ano de 2006, que o transformou num alvo de críticas pela sua postura. Isso não atingiu o compositor, que diz não se abalar com comentários maldosos.

Atualmente Chico mora sozinho no bairro do Leblon, no Rio. Sai para suas caminhadas pela lagoa e não dispensa uma gelada água de coco encontrada pela redondeza.

Levando uma vida saudável, ele não pretende parar tão cedo de produzir. Divide seu tempo entre preparar um álbum ou um livro. Não mistura os dois tipos de produção, mas como agora acabou de lançar um romance, é de se esperar que o aclamado Chico Buarque de Hollanda possa produzir mais um disco com canções que embalam histórias, emocionam corações e nos fazem refletir sobre diversas situações há cerca de 45 anos!

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