Chico Para todos
No auge de seus 65 anos o aclamado cantor, compositor, intérprete e escritor brasileiro acaba de lançar seu mais recente livro Leite Derramado e ter outra obra sua adaptada para as grandes telas do cinema: Budapeste.
Ao longo de sua carreira teve mais de quarenta álbuns lançados; três DVDs; um Box com todas as etapas de sua vida musical; quatro livros publicados e quatro peças de teatro lançadas.
No auge de sua maturidade, Chico coleciona fãs de diferentes idades, sejam aqueles que o acompanharam desde o começo ou mesmo os jovens que constantemente buscam conhecer sua obra. Esta que se destaca no cenário cultural de tantas formas tornando-o um artista incomparável.
Nascido no dia 19 de junho de 1944, na Maternidade São Sebastião, no Catete, centro do Rio de Janeiro, Francisco Buarque de Hollanda é filho do historiador Sérgio Buarque de Holanda e de Maria Amélia Carvalho Alvim.
Carioca da gema, passou grande parte de sua adolescência em São Paulo para onde se mudou aos dois anos de idade.
O quarto entre seus sete irmãos, Chico tinha paixão pela música desde pequeno quando se juntava com as irmãs: Míúcha, Ana e Cristina ao redor do violão de Ana para cantar e batucar algumas canções inventadas na hora.
Gostava de escutar, além dos sambas tradicionais de Noel Rosa, Ismael Silva e Ataulto Alves, o belga Jacques Brel e os norte-americanos Elvis Presley e The Platters.
Seu grande inspirador, porém, foi João Gilberto com o disco Chega de Saudade, o qual Chico não parava de escutar. Queria mesmo era cantar como ele, fazer música como Tom Jobim e letra como Vinícius de Moraes.
Uma de suas primeiras composições foi feita aos quinze anos, “Canção dos Olhos”, e cantada dois anos depois em sua primeira apresentação num show no Colégio Santa Cruz, no qual estudou - “Meu Deus, o que será que tem nesses olhos teus/ O que será que tem pra me seduzir?” Os olhos da música eram seus próprios olhos azuis.
Dois anos mais tarde, Chico teria sua primeira participação na imprensa. Ele e seu amigo Olivier Jolles saíram nas páginas policiais do jornal Última Hora de São Paulo, acusados de roubarem um Peugeot para dar algumas voltas pela madrugada paulista.
Miúcha tirou o irmão da cadeia sob a pena de que Chico não poderia sair de casa sozinho até completar 18 anos, o que aconteceria alguns meses depois. As fotos que teve que tirar na delegacia, posando de perfil e de frente, compuseram a capa do disco Paratodos, que seria lançado em 1993.
O interesse do compositor nunca foi somente pela música. Torcedor fervoroso do Fluminense, a paixão pelo futebol o fez fundar seu próprio time, o Politheama – nome inspirado numa velha sala de cinema, que em grego significa “muito espetáculo”; sem deixar de lado o amor pela literatura.
Em 1963, achando que não conseguiria viver somente de música e de textos, ingressou na faculdade de Arquitetura e Urbanismo de São Paulo, a FAU, mas largou o curso no terceiro ano.
Mesmo não sendo uma faculdade de música, a FAU servia como um fervedouro desta, já que algumas vezes por semana, o compositor se reunia com alguns amigos no porão para tocar, conversar e discutir os problemas políticos da época.
Entre esses muitos encontros, Chico conheceu um amigo que viria a ser um de seus parceiros na música – Antonio Pecci Filho, mais conhecido como Toquinho - estudante de contabilidade do Mackenzie.
Algum tempo depois, em 1965, conheceu outra importante figura que inspirou a vida sonora de Chico – Gilberto Gil, que acabara de desembarcar em São Paulo, vindo diretamente de Salvador.
Continua...
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