Trilhas Sonoras da vida
postado às 22h23 por Cristiane Tavares | 9 comentários
“A maioria das fitas gravadas se transformaram em CD’s, que se transformaram em playlists. A tecnologia muda, mas o espírito é o mesmo. É uma necessidade humana fundamental passar canções adiante e não importa como a tecnologia evolua, a música continua em movimento.”
Esse foi o texto de apresentação da peça “Trilhas Sonoras de Amor Perdidas”, que está em cartaz no Sesc Belenzinho, aqui na capital paulista. Como eu poderia perder um enredo desses? Pois estive lá e durante 3 horas acompanhei Guilherme Weber e Natália Lage numa discussão amorosa, envolvendo trilhas sonoras de momentos inesquecíveis de suas vidas. Ele grava uma fita com suas músicas favoritas e oferece a ela. Quem nunca fez isso?
Na minha adolescência as fitas eram separadas em “músicas para dançar”, “músicas para dormir”, “lentas”, “músicas para viajar”. Assim como acontece na peça. Eu ganhava fitas de namoradinhos, feitas só pra mim, com músicas que marcaram nossos encontros. E na caixa ainda vinham os nomes das canções, escritas a mão. Ainda tenho algumas delas.
O tempo passa, mas a necessidade de marcar os momentos com trilhas sonoras continua. Minhas viagens sempre têm alguma música tema. Minhas amigas também. Minhas festas de aniversário sempre eram baladas, com direito a luz negra, globo espelhado e aquela luz estroboscópica que até hoje me deixa zonza. Se tocar Repetition, do Information Society, automaticamente volto a 1988 e te digo os nomes de todas minhas amiguinhas da escola que foram na minha festa de aniversário. Engraçado isso, porque hoje em dia eu não lembro o que almocei ontem. E garanto, com toda certeza, que só me lembro desses detalhes porque havia uma música, uma trilha sonora que ficou memorizada.
Não sei se vocês são assim, mas quanto toca uma música que me lembra algo ou alguém, eu revivo as mesmas emoções daquele momento, ainda que sejam de 15 anos atrás! É um momento único de “revival” que dura alguns segundos. Talvez lágrimas caiam nesses segundos, se a lembrança for triste. Gostaria muito de entender o mecanismo que o cérebro usa para fazer isso. Talvez se encontre um remédio para a amnésia.
Para vocês verem como a música me ajuda na memorização dos fatos, eu aprendi tabuada com um disco emprestado de uma vizinha. Até hoje não faço as contas se eu não cantar aquela melodia. (Canto em pensamento, óbvio, vocês não vão me ver pagar esse mico). Mais uma vez, a música deixando marcas irreversíveis na minha vida. E acho tudo isso muito legal.
Uma vez um amigo apareceu na minha rua, com o som no último volume tocando Pretty Woman, do Roy Orbison. Eu moro no 10º andar! Essa era a dica pra eu descer, pra gente sair. Parece coisa de filme, meio “Grease”, não é? Imagina se eu não lembro dele quanto toca essa música! Pra sempre.
Tenho uma lista interminável de canções e seus personagens. A ligação entre a melodia e os fatos é instantânea e fugaz. Mas eterna. Estarei com 90 anos, talvez não lembrando meu nome, mas lembrarei, certamente, de uma trilha sonora de uma viagem inesquecível, ou do maior amor da minha vida.
Não deixem de ver a peça “Trilhas Sonoras de Amor Perdidas”, que faz parte da Mostra Sutil Companhia de Teatro, no Sesc Belenzinho até 31 de julho de 2011. Muitos voltarão às suas casas com vontade de ouvir aquela velha fita K-7 Basf Ferro Standart 60 min.

ctavares@novabrasilfm.com.br
José Orlando Santana Junior - 03 de julho de 2011 | 16h46
Cristiane,seus textos são excelentes. Gostaria de saber como fazer para imprimi-los para mostrar para os meus alunos. Parabéns. Aguardo retorno.
GABRIELE OLIVEIRA GOUVEA - 03 de julho de 2011 | 13h43
Concordo em gênero, número e grau! A música traz lembranças e faz a gente reviver momentos!
Paulo Castro - quarta-feira, 29 de junho de 2011 | 20h56
ZZZZzzzz......
Paulo Castro - quarta-feira, 29 de junho de 2011 | 20h40
boa noite, e do fundo do baú, mais um sucesso inesquecivel só para sua mente, um anestésico natural que nos remete a diversas emoções e sensações.... muito bom cris me idêntifico muito com isso... ;D
Lígia R M Cavalari Menna - quarta-feira, 29 de junho de 2011 | 16h26
Gostei bastante do seu post. Acho que todos temos uma trilha sonora na memória. Abraços.
Alessandra de Souza Figueiredo - quarta-feira, 29 de junho de 2011 | 11h40
A música são mesmo os olhos da alma! Também acho que podem passar milhares de anos, pois como diria Lulu Santos "tudo muda o tempo todo no mundo", mas a música irá acompanhar essa evolução. Novidades com a mesma intenção: Tocar fundo a alma de quem ouve.
Elidayana da Silva Alexandrino - segunda, 27 de junho de 2011 | 20h34
Olá Cristiane,a música sempre marca momentos inesquecíveis, mas no meu caso sempre que escuto uma música automaticamente vem uma imagem na minha cabeça, ou uma pintura, uma foto, enfim, sempre crio uma imagem para a música que escuto.
Audian Oliveira - segunda, 27 de junho de 2011 | 13h01
Me identifiquei muito com esse post,minha memória musical é incrível,pensei que era a única que ao ouvir certas músicas me transporto ao um passado muito distante. Adoro ler os seus posts.Abraços.
David Gomes Felicio - 26 de junho de 2011 | 23h34
Cristiane vc é linda.
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