Repórter Esso
postado às 23h34 por Cristiane Tavares | 2 comentários
“Testemunha ocular da história”, ou então “o primeiro a dar as últimas”. Esses eram os slogans do Repórter Esso, o programa jornalístico que mudou a forma de se dar notícia. Até então, os profissionais de imprensa liam ao microfone informações recortadas de jornais. Eram usados, literalmente, tesoura, cola e papel. Conseguem imaginar?

O Repórter Esso mudou tudo isso. O noticioso entrou no ar em 28 de agosto de 1941, quando o Brasil entrou na II Guerra Mundial, ao lado das forças aliadas. O noticiário era da Rádio Nacional, do Rio de Janeiro, e patrocinado, obviamente, pela petrolífera Esso. O mesmo estilo de programa já existia em NY, Buenos Aires, Havana, Lima, Santiago, fruto da política de boa vizinhança dos Estados Unidos, com os países da América Latina, seus aliados na guerra.
O programa era elaborado por uma agência de publicidade, a McCan, que redigia o noticiário a partir dos Estados Unidos, desde o início até 31 de dezembro de 1968, quando foi ao ar a última edição no rádio. Uma das metas do programa era impedir que o Brasil criasse sua própria empresa petrolífera.
Outra característica do programa, pelo menos até a entrada do Brasil na Segunda Guerra, era a total ausência de notícias locais. A Esso levava ao público apenas notícias que lhe interessavam comercialmente.
Bom, esquecendo esse lado obscuro da (falta de) liberdade de informação, a maior contribuição do Repórter Esso foi introduzir o noticiário adaptado para a linguagem radiofônica. Pela primeira vez, um jornal falado tinha horários certos para entrar no ar: 12h55, 18 h, 19h55 e 22h55 - sem contar as edições extras, que dependiam de informações urgentes do front direto da Europa.
Boa parte da grande credibilidade do Repórter Esso junto aos ouvintes na época da guerra foi resultado da locução de Heron Domingues, escolhido entre centenas de candidatos para dar voz ao programa. Olha aí a importância do locutor!

Depois da Segunda Guerra Mundial, o Repórter Esso noticiou grandes fatos, como a Guerra da Coréia (1950), a morte de Getúlio Vargas (1954) e a Revolução Cubana (1959).
O programa encerrou suas transmissões em 31 de dezembro de 1968 com Heron Domingues narrando a abertura, e Roberto Figueiredo despedindo-se dos ouvintes, bastante emocionado.
Gostaria que acompanhassem essa despedida neste vídeo do youtube. O link está abaixo. São apenas 7 min 32 seg. Emocionante tanto aos que viveram essa época, quanto aos mais jovens e estudantes de jornalismo que precisam entender a importância do Repórter Esso. Mas ouçam até o fim. Depois me digam.
http://www.youtube.com/watch?v=cIgSWgWH2kg
Ah, como eu gosto dessas histórias..rsrs
Um beijo!
Contato: ctavares@novabrasilfm.com.br
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Ricardo Augusto Santos da Silva - 23 de agosto de 2009 | 12h31
Cris,ouvi a última edição do Jornal Esso no Youtube.Ele pode ter revolucionado a rádio no Brasil,só que tinha intereses pessoais.O locutor,com certeza,chorou muito ao ver o último dia de vida da rádio onde fez história.Beijos Cris!!
Jessica Carolina Arent de Albuquerque - quarta-feira, 12 de agosto de 2009 | 03h09
Eu também adoro essas histórias! :) Ouvi o programa no Youtube e achei tocante. Também me emocionei. Além de tudo, é interessante ouvir noticias antigas que fantasiavam, graças a repressão, um mundo mais simples. Adorei a dica! Beijos. Jessica Albuquerque
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