Mandem cartas
postado às 22h54 por Cristiane Tavares | 9 comentários
Outro dia vi uma reportagem que mostrava que os estudantes de hoje fazem trabalho da escola pelo MSN, ou pelo skype. Não há mais necessidade de ir um à casa do outro. Numa emergência máxima, usa-se o telefone. Isso se o torpedo não resolver antes. Ok, acho bem legal isso, eu mesma uso essas ferramentas interativas. Não vivo mais sem internet. Mas acho que toda essa tecnologia está separando cada vez mais as pessoas.
Quando eu vivia sem email (sim, já vivi sem email, sem internet e sem celular...buuuuu), eu escrevia cartas. Às amigas, aos primos, aos namorados...Nossa, quantas cartas ainda tenho dos namorados. Escritas à mão. Elas vinham perfumadas, o mesmo aroma do pretendente. Imagina a sensação que era aguardar uma carta do gatinho que ainda vinha com o perfume dele? Era sensacional. E isso foi há 15 anos apenas. Não estou falando da idade média, não!!
Hoje, há o email. Cadê a graça? Sim, é mais rápido. E mais frio também. Não tem cheiro, não tem caligrafia, não tem linhas, não tem rasura, não tem liquid paper (ainda existe isso?). Óbvio que eu uso email, diariamente, mas tenho uma saudade das cartas!

E olha só! No caminho até o Correio eu passava pela padaria, onde conhecia o Seu Manoel, que me dava um mini sonho (tinha sabor). Passava pela casa de uma senhora que vivia com o cachorrinho na porta, com o qual eu sempre brincava (tinha diversão). O próprio funcionário do Correio, o Marcelo, já me conhecia, conhecia minha mãe e sabia até onde eu morava (tinha segurança). Na volta, já pelo outro lado da rua, tinha uma papelaria onde eu passava pra ver as novidades (tinha informação). Mais adiante, morava uma amiga minha, a Flavia, que sempre me contava as fofocas (tinha notícias fresquinhas da vida alheia), e por fim, já perto de casa, passava pela casa de um menino de quem eu era afim (tinha paquera). Fora a caminhada que já era exercício físico, por isso sempre fui uma magrela.
Agora me diz: mandar um email tem tudo isso? A carta era muuuuuuito mais interessante.

Voltando às reuniões de escola que hoje são virtuais. Quando eu estudava, nos reuníamos sempre na casa de um integrante do grupo, porque na biblioteca não dava pra fazer bagunça. Então, muitas vezes vinham todos na minha humilde residência. Claro que o trabalho ficava sempre para o dia seguinte, e pro dia seguinte, ou para o próximo final de semana. Mas a diversão que era uma reunião daquela, como diz o Mastercard, não tem preço. Minha mãe sempre colocava uns quitutes na mesa, refrigerante (lembrem-se que eu era magrela, podia), e música. Tinha que ter o rádio ligado.
Não lembro de nenhum trabalho que fiz, mas lembro de cada reunião. Lembro do mantecau que acabou esfarelando quando fui rir, sujei toda a mesa. E o cabelo da Tathiana, minha amiga. Foi uma graça.
E por acaso, uma reunião virtual tem toda essa emoção? Não né.
O que mais me deixa triste é saber que essa relação fria de internet não vai acabar, pelo contrário, cada vez mais as pessoas vão resolver tudo de casa, sem precisar nem tirar o pijama. Aqui onde moro tem gente que faz compras no supermercado pela internet. Outro dia perguntei ao entregador a qual apartamento ele estava indo. Aí sim percebi porque aquela moradora era tão anti-social. Sair para fazer compras também faz parte da necessidade humana, sabia? Você analisa o produto, sente o cheiro, troca idéia com outras pessoas, faz amizades, troca receita, se relaciona, troca olhares, percebe se está frio, se está calor, enfim, VIVE!
Não quero de forma alguma defender o fim do delivery, o fim do email, do skype, do Orkut, do myspace, do blog, do MSN, adoro tudo isso. Mas quero, sim, exigir das pessoas que não se distanciem umas das outras. Que se encontrem mais pessoalmente, que saiam do mundo virtual para dar um abraço real. Que façam compras no supermercado. Que mandem cartas. Que saibam o nome completo e o endereço dos amigos. Por fim, que sejam mais seres humanos.

Vamos começar agora. Publicarei aqui no blog a carta mais romântica que chegar escrita à mão. Pode ser de homem ou mulher. Pode ser dirigida ao marido, à esposa, ao ficante, à amante, o que for. O endereço é Av. Paulista 2001, sobreloja 01, Cerqueira Cesar. Cep: 01311-931 São Paulo – SP. Aos meus cuidados. E se puderem, mandem um telefone pra eu entrar em contato. Lembrando que a carta social, até 10 g, custa R$ 0,01.
Quero só ver se consegui convencer alguém. E prometo que responderei a todos os participantes, por carta.

Um beijo
ps: não me façam pagar mico.
Contato: ctavares@novabrasilfm.com.br
Posts anteriores: www.novabrasilfm.com.br/blog/cristiane-tavares
LILIAN ALDINE DARINI - sexta-feira, 06 de novembro de 2009 | 20h44
Amei a ideia... vOu fazer!!!! esperO que minha criatividade esteja bOA ainda... bjOs Cris
Aline Servilha Sampar - sexta-feira, 06 de novembro de 2009 | 01h50
... até as fofoca estão sendo feitas via internet. As pessoas não param mais nos portões e pra praças pra "colocar o assunto em dia".
Aline Servilha Sampar - sexta-feira, 06 de novembro de 2009 | 01h49
Estava comentando com uma colega sobre o Twitter, que tem como função para muitos, informar o que está acontecendo ou algo que aconteceu a poucos instantes, e rapidamente todos sabem sobre esses pequenos comentários...
Andreza Déborah Moreira - quarta-feira, 04 de novembro de 2009 | 11h18
Conclusão: Se fosse um e-mail,nao teria curiosidade de ler e eu seria uma adolescente frustrada.
Andreza Déborah Moreira - quarta-feira, 04 de novembro de 2009 | 11h17
apaixonei pelo prof de historia fiz um caderno com mais de 20 poemas e (eram vem bem legais acho que não paguei mico),e lhe mandei tbm variassssss cartas ate que ele ficou comigo.
Andreza Déborah Moreira - quarta-feira, 04 de novembro de 2009 | 11h14
Eu tenho 25 anos,mais como venho de uma cidade do interior e minha mãe era pai e mãe,não tinhamos computador e só vim ter um celular qnd comecei atrabalhar com 17 anos...com isso sempre dei mt valor na leitura e na estrita,uma vez na 6º série eu me...
Daniel Souto - quarta-feira, 04 de novembro de 2009 | 10h39
Muito interessante o texto. Felizmente ou infelizmente a tecnologia vai evoluindo e o contato mais próximo vai diminuindo. Mas agora me surgiu uma ideia. o e-mail deveria ter um modelo parecido com uma carta, com selo e tudo mais...
Ricardo Augusto Santos da Silva - terça-feira, 03 de novembro de 2009 | 21h17
Hoje o mundo está cd vez mais instantâneo!Não só no miojo,mas tb nos nossos tratos com os demais.Q iso fque só n miojo!Falar,ouvir, ver,tocar,cheirar ao seu amor é o que traz felicidade.Tenho que enviar uma carta p minha amiga do Peru. Ta chegando Brenda!
LUANA FURQUIM MENDONÇA - terça-feira, 03 de novembro de 2009 | 13h59
Pois é, Cristiane... eu também tenho o mesmo pensamento que você expressou tão bem nesse post!! O sentimento que você tem ao receber o mail de alguém, não se compara ao abrir a caixa de correios, e ver uma carta, com a caligrafia de uma pessoa querida!!
digg
delicious
facebook
google
rec6
twitter
yahoo my web
stumble upon




