Maestro Simonal
postado às 16h02 por Cristiane Tavares | 3 comentários
Isso mesmo: maestro.
Estive nesta terça-feira na pré-estréia do documentário “Simonal – Ninguém Sabe O Duro Que Dei”, de Claudio Manoel, Micael Langer e Calvio Leal. A produção revela a ascensão e queda de um dos maiores cantores do Brasil: Wilson Simonal (1939-2000).
De origem humilde, Simonal ganhou destaque na televisão nos anos 60, rivalizando com o domínio de Roberto Carlos e outros ídolos da Jovem Guarda.
No auge da fama, chegou a dividir o palco com a cantora Sarah Vaughan, em visita ao Brasil. O dueto é incrível! Acho até que ele foi jantar com a Sarah depois daquela apresentação.
O documentário é costurado com os depoimentos de grandes nomes do meio artístico: Chico Anysio, Nelson Motta, Toni Tornado, Boni, etc.
Simonal tem um feito único: chegou a reger um coro de 15 mil vozes no show de encerramento do IV Festival Internacional da Canção, no Maracanãzinho. As imagens são geniais. Ele era o verdadeiro maestro das massas.

Em 1972, no entanto, uma história mal explicada. Simonal é acusado de ser o mandante de uma surra, dada por dois policiais, no contador de sua firma, que o teria roubado. Denunciado, o cantor é condenado – e durante o inquérito, um agente do Dops ainda revelou que ele tinha sido informante do órgão. Com essa acusação de dedurismo em plena ditadura militar, Simonal passou para o completo ostracismo.
Simonal morreu em 25 de junho de 2000, aos 62 anos, em decorrência de uma doença hepática crônica.

A parte mais tensa do documentário é durante o depoimento de Rafael Viviani, o contador. A câmera ainda foca bem de perto os olhos dele, como numa tentativa de intimidá-lo, de forçá-lo a dizer a verdade. E será que aquela foi a verdade?
Outra parte emocionante é o depoimento da 2ª esposa dele, Sandra. Ela que cuidou de Simona quando ninguém mais o enxergava.
No final, todos se levantam e aplaudem por alguns minutos. Começam as perguntas da platéia aos diretores. E um gênio fez uma que eu queria fazer: se durante a produção do documentário, eles receberam muitos “nãos” de pessoas que ainda não queriam falar sobre Simonal. E acreditem: teve gente que recusou o diálogo.
Faltou um tema importante, que vou complementar. Em 2003, a Ordem dos Advogados do Brasil “absolveu” Wilson Simonal da acusação de delação. A Comissão de Direitos Humanos da OAB examinou documentos (do SNI e da Polícia Federal, registrados na época do regime militar), depoimentos de pessoas que conviveram com Simonal e material jornalístico do começo dos anos 70 para afirmar que não procede a fama de dedo-duro que foi colada ao cantor.

SIMONAL – NINGUÉM SABE O DURO QUE DEI
15 de maio nos cinemas
Veja o trailer em www.simonal.com
Contato: ctavares@novabrasilfm.com.br
Posts anteriores: www.novabrasilfm.com.br/blog/cristiane-tavares
Camila Maria Coimbra Albejante - quinta-feira, 14 de maio de 2009 | 22h01
Adorei seu comentário sobre o Simonal, não nascí na época q. ele estourou, mas o admiro tanto, q. acredito q. saiba cantar quase todas as suas músicas!! Ele realmente foi o gênio das massas!! Bjinhossss e sucessso com seu blog, Camila.
NELI SILVA TEIXEIRA - quarta-feira, 13 de maio de 2009 | 22h53
Oi Cris, vi seu coments no blog do Pedro Mariano. Belo post, tb estou divulgando o filme no meu blog.Acho importantíssimo as pessoas conhecerem as grandes artistas de nossa música. Falta a Nova tocar Simonal,não? bj http://www.fotolog.com/pedromarianoavoz
Lair Gomes - sexta-feira, 08 de maio de 2009 | 10h08
Olá Cris! Simonal deve ter sido um grande gênio. Apesar de não ser do meu tempo, aprecio muito a cultura e as genialidades do passado. Infelizmente a ditadura "obscureceu" não somente ele como muitos outros que até os dias de hj a temem-Beijo-Lair-Diadema
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