Inculta e bela
postado às 19h03 por Cristiane Tavares | 2 comentários
Já está em vigor, desde 1º de janeiro deste ano, o novo acordo ortográfico da Língua Portuguesa. No Brasil, 0,5% das palavras sofrerão modificação, enquanto em Portugal esse índice chega a 1,6% do vocabulário total. Em terras lusitanas, 57% das pessoas são contra a aplicação do acordo! Por aqui, até o momento, ninguém fez abaixo assinado. Então, o negócio é se conformar e estudar as novas regras.
Vamos lá. Vou citar algumas só
As letras “k”, “w” e “y” fazem parte oficialmente do alfabeto. Pode pedir um suco de kiwi sem peso na consciência.
O trema, que o Word insiste em colocar nos textos (coitado, ele ainda não foi atualizado), sumiu. Eloqüência vira eloquência. (a pronúncia, no entanto, não é alterada). E pode ter certeza que virá grifado em vermelho. Pinguim, linguiça e delinquente seguem o mesmo caminho.
Ditongos abertos (ei, oi) não serão mais acentuados em palavras paroxítonas. Só nas paroxítonas, hein? Tá fácil,olha só: assembléia vira assembleia. (grifou de novo de vermelho). Coréia do Sul vira Coreia do Sul (Corêia, né). Plateia, colmeia, paranoia, heroico seguem a mesma trilha. Ficou estranho!
Já nos ditongos abertos de palavras oxítonas e monossílabas, o acento continua. Por exemplo: herói, anéis, papéis, céu, ilhéu.
Agora sem olhar, repete tudo que falei. rs
Tá bom, ta bom. Continuemos...
Os hiatos “oo” e “ee” não têm mais acento circunflexo. Vôo vira simplesmente voo. Lêem vira leem. Povôo vira povoo. Crêem vira creem. Conseguem crer? Acho essa a mudança mais difícil de acostumar.
Já o emprego do hífen é uma enciclopédia a parte.
Pára-quedas vira paraquedas.
Manda-chuva vira mandachuva.
O hífen desaparece quando o prefixo termina em vogal diferente da vogal com que se inicia o segundo elemento. Exemplo: infra-estrutura vira infraestrutura.
Já se o segundo elemento é iniciado por B, H ou R, o hífen retorna. Exemplo: subepático fica sub-hepático.
O hífen desaparece com o prefixo “bem”. Bem-feito e bem-querer são aglutinadas e viram benfeito e benquerer.
Já o prefixo terminado em “R” mantém o hífen, quando o segundo elemento é iniciado por “H” ou “R”. Super-homem e inter-relação ficam assim, iguais.
Já estou ficando atrapalhada. Melhor parar por aqui.
Amo a Língua Portuguesa, sempre foi minha disciplina favorita, mas tenho que reconhecer. É um verdadeiro enigma.
Se você quiser uma fonte de consulta, indico esse link http://www.abril.com.br/reforma-ortografica
Fiquem agora com um poema de Olavo Bilac, em homenagem ao nosso idioma. A “última flor” é a língua portuguesa, considerada a última das filhas do latim. O termo “inculta” fica por conta de todos aqueles que a maltratam (falando e escrevendo errado), mas que continua a ser bela.
LÍNGUA PORTUGUESA
Olavo Bilac
Última flor do Lácio, inculta e bela,
És, a um tempo, esplendor e sepultura:
Ouro nativo, que na ganga impura
A bruta mina entre os cascalhos vela...
Amo-te assim, desconhecida e obscura.
Tuba de alto clangor, lira singela,
Que tens o trom e o silvo da procela,
E o arrolo da saudade e da ternura!
Amo o teu viço agreste e o teu aroma
De virgens selvas e de oceano largo!
Amo-te, ó rude e doloroso idioma,
em que da voz materna ouvi: "meu filho!",
E em que Camões chorou, no exílio amargo,
O gênio sem ventura e o amor sem brilho!

contato: ctavares@novabrasilfm.com.br
posts anteriores: www.novabrasilfm.com.br/blog/cristiane-tavares
Esther de Lima Bico - terça-feira, 24 de março de 2009 | 19h33
Lembrando que a referência do brasileiro é o americanizado, refiro-me à escolha de nome para as crianças quando nascem, desconhecendo que a origem das linguas é o latim. Mabel é como se escreve no latim, significa amável e sua pronuncia é Meibel.
Esther de Lima Bico - terça-feira, 24 de março de 2009 | 19h27
A falta do conhecimento leva à inocência e só aquele que observa consegue sentir tal beleza, a pureza. Que bom se pudesse ser sempre assim.
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