Acredite e divirta-se
postado às 11h51 por Cristiane Tavares | 1 comentário
Lolô é um homossexual assumido, que morre num acidente de carro. Sem acreditar na própria morte, ele se nega a ficar no céu e volta a Terra. Aos poucos vai descobrindo seus poderes e cometendo uma série de trapalhadas, até incorporar num cara machista, noivo de uma perua ciumenta. A dupla personalidade do noivo abala o romance e ainda revela a homossexualidade do cunhado.
Esse é o divertido enredo da peça “Acredite, um espírito baixou em mim”, que está há 11 ANOS E MEIO em cartaz, com texto de Ronaldo Ciambroni e direção de Sandra Pêra. No elenco, os mineiros Maurício Canguçu e Ilvio Amaral, sócios na Cangaral Produções Artísticas, que promove o espetáculo, além de Luiza Ambiel, Enzo Silveira e David Cardozo.
A peça está em cartaz até o final de outubro no teatro Ruth Escobar, aqui em São Paulo.

Se você quer se divertir, é uma dica imperdível. Os atores são incríveis, com destaque para a dupla Maurício Canguçu e Ilvio Amaral, respectivamente, o “noivo” e o “fantasma gay”. Prestem atenção também nos “efeitos sobrenaturais”: um livro que solta labaredas, um lenço que flutua no ar...coisas assim. Não consegui descobrir o segredo. rs
Outro dia convidei o Maurício para um bate-papo, queria saber mais sobre o sucesso da peça, que virou livro e filme, e sobre ele também. O resultado é essa entrevista que segue abaixo, que aconteceu no Parque Trianon, numa tarde ensolarada do inverno.
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CT: A peça “Acredite, um espírito baixou em mim” está há quantos anos em cartaz?
MC: Há 11 anos e meio.
CT: E como é participar 11 anos e meio de uma mesma peça? É gratificante? É cansativo?
MC: É muito gratificante. Agente aprende sempre. É engraçado, tem gente que acha que é repetitivo e não é. Cada dia que passa é uma apresentação nova. O público é diferente, o dia é diferente, porque teatro é ao vivo, depende do que eu vivi durante o dia. Isso tudo interfere na minha interpretação. É um prazer enorme, é uma sensação de ser querido. Eu adoro fazer. Pra mim cada dia tem um sabor especial.
CT: E como a peça virou um filme e um livro?
MC: Nós filmamos em 2002, com a participação da Marília Pêra, da Arlete Salles, da Nany People, enfim, um elenco maravilhoso. O filme foi lançado no Brasil todo. Em Belo Horizonte ele foi muitíssimo bem, foi um dos 10 filmes mais vistos do ano do cinema nacional, ficamos em 9º lugar. O restante era da Globo Filmes, então eu fiquei feliz (rs). Depois virou um livro, já que mais de 1 milhão de pessoas já viram esse espetáculo. O livro fala um pouco disso, tem gente que já viu 20 vezes, tem um fã lá de BH que já viu mais de 50 vezes. Então o livro aborda isso, o que essa peça tem que atrai tanta gente.
CT: O texto muda de uma pra outra?
MC: Não, o texto é sempre o mesmo. E lá em BH nos apresentamos num teatro de 1.700 lugares, 2 sessões por dia. Esgotado. A peça “Acredite” lá realmente é um fenômeno.
CT: Mas você pensa em parar, dar um tempo?
MC: Penso, mas não em definitivo. Nesses 11 anos e meio nós já fizemos vários espetáculos. Fizemos “A Idade da Ameixa”, “Os Sem-Vergonhas”, “A Saga da Senhora Café”. Nesse tempo o “Acredite” fica meio parado. Parado de temporada, mas parar de fazer nunca.

CT: E você vive de teatro? É possível viver de teatro no Brasil?
MC: Vivo só de teatro. E muito bem. Eu sou feliz, vou onde eu quero, viajo todo ano, tenho minha casa, tenho meu carro, tudo consegui com o teatro. Me considero um privilegiado.
CT: Então você assume que é um privilegiado deste ramo?
MC: Então, eu digo que sou um privilegiado porque eu faço uma peça de muito sucesso e isso sim é um privilégio. Mas dá pra viver de teatro sim. Uns vivem melhor que outros, mas dá sim.
CT: Você já pensou em fazer cinema?
MC: Eu fiz esse filme do “Acredite”, fiz um curta com o Mateus Carrieri, “A arte da violência”, fui chamado pra fazer um filme lá em BH, pra 2010, mas ainda não está certo. Eu adoro cinema, queria fazer muito.
CT: Como você vê essa onda de stand-ups?
MC: Eu acho ótimo. Tem gente que não curte. Eu não tenho nada contra. Acho que todo mundo tem seu espaço, todo mundo tem o direito de se expressar como acha que deve. Se a pessoa acha que a forma de comunicação dela com o público é com o microfone e as suas histórias, que seja assim. Eu não tenho preconceito de nada. Respeito todas as formas de expressões artísticas, pessoais, religiosas, sexuais. E o preconceito que eu tenho, procuro acabar com ele.
CT: Mas para um ator, o preconceito pode atrapalhar. Por exemplo, há algum papel que você jamais faria?
MC: Nenhum. Faria todos. Aliás eu gosto de papéis que são muito distantes de mim. Eu sou um cara normal, que trabalha o dia todo, que rala pra caramba, absolutamente dentro do padrão. Então, eu queria fazer um papel mais maluco, mais desafiador, que mexa comigo.
Ilvio Amaral e Maurício Canguçu
CT: O que é mais difícil pra você, como ator: fazer o público rir, ou chorar?
MC: O mais difícil é fazer teatro bem feito. Fazer o público rir ou chorar é consequência do trabalho que você realiza. Então, se você faz uma comédia, como é o caso do “Acredite” e do “Sem-Vergonhas”, a platéia ri muito e eu fico muito satisfeito porque acho que é um espetáculo de qualidade e já passou pela aprovação do público. E quando eu faço a “Idade da Ameixa”, que é um espetáculo dramático onde as pessoas choram, eu fico feliz também porque eu consegui atingir meu objetivo.
CT: Você chegou a fazer um papel na novela Mandacaru, na extinta Tv Manchete, em 1997. Em 2004, você participou da Praça é Nossa com 3 quadros: “Acredite, um espírito baixou em mim”, “Amora, a empregadinha” e “Dona Dadá”. Você pensa em voltar a fazer novela? Como funciona o preconceito que os diretores de novelas têm, em escalar para o elenco atores que já passaram por programas de humor?
MC: O humor é classificado como linha de “shows” da televisão, e a novela é linha de “dramaturgia”. E eu não sei porquê, nem como, existe uma divisão disso. Quem está na linha de show dificilmente consegue entrar na linha de dramaturgia. A Maria Clara Gueiros, o Rogério Cardozo quando era vivo, são os poucos que conseguiram ultrapassar essa linha. O porquê disso eu realmente não entendo. O que sei é que quando se entra na linha de shows na TV, a dificuldade de ir para a dramaturgia é enorme. Eu já passei por isso. Pelo fato de ter feito A Praça é Nossa, da qual eu me orgulho de ter participado, me orientaram a dar uma “descansada” na imagem.
CT: Isso é uma forma de preconceito, não?
MC: Sim, é um preconceito do mercado. Não entendo o porquê. É uma boa pergunta, e vou deixar no ar.
CT: Qual seu ator ou atriz favorito?
MC: Meu ator preferido é o Ilvio Amaral, acho ele o máximo. Trabalho com ele porque sou fã. Ilvio faz comédia muito bem, drama muito bem, ele tem uma empatia com o público. Atriz, tem várias, mas a que eu mais gosto é a Marília Pêra. Ela tem uma característica que eu admiro muito: ela corre risco artístico. A Marília faz musical, drama, comédia, dança. É uma atriz soberba. Ela faz coisas arriscadas, e isso me estimula muito. Acho que agente não pode ficar quietinho, na mesmice, fazendo o que é confortável. Acho que agente tem que tentar o “desconfortável”. Isso pra mim é o maior exemplo dela.

Serviço
“Acredite, um espírito baixou em mim” – Curta temporada
Teatro Ruth Escobar – Rua dos Ingleses 209 –Bela Vista – Info: 3289-2358
6ª e Sab: (21hs) Dom (19 hs)
Livro: “Acredite, um espírito baixou em mim - a trajetória de um sucesso” de Jefferson da Fonseca Coutinho, Editora Cangaral.
DVD: “Acredite, um Espírito Baixou em Mim” - Brasil - 2006. Direção: Jorge Moreno
Mais informações www.cangaral.com.br
contato: ctavares@novabrasilfm.com.br
posts anteriores: www.novabrasilfm.com.br/blog/cristiane-tavares
Ricardo Augusto Santos da Silva - quarta-feira, 30 de setembro de 2009 | 15h12
Acretido que esse espetáculo deve ser muito bom! Bem que eu desejaria assistir... Valeu pela dica Cris! Vou alugar o filme, verei disponibilidade na locadora que conheço. Beijão Cris!!!
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