Lulu Santos (Luís Maurício Pragana dos Santos)
Carioca do Rio de Janeiro, nascido em 4/5/1953
Filho de um militar da Aeronáutica, Luiz Maurício Pragana dos Santos, passou parte da infância nos Estados Unidos, onde o pai fazia curso de especialização em engenharia aeronáutica. Como qualquer adolescente de sua geração, nos anos 60 ele foi capturado pelo som de Beatles e Rolling Stones. Mas antes disso já curtia Chubby Checker, Hank Ballard, Ray Charles e os discos de seus pais que rolavam em casa: Frank Sinatra, Perry Como e Andy Williams. A música brasileira entraria pela Jovem Guarda e, principalmente, pela Tropicália de Caetano Veloso, Gilberto Gil, Mutantes, Gal Costa e companhia.
Mas o jovem Lulu Santos tinha o rock como meta. Era o que predominava em seus primeiros grupos: do Cave Man, que fazia cover dos Beatles em meados dos anos 60, aos, na década seguinte, Albatroz, Veludo Elétrico e Vímana. Neste terceiro, que atuou entre 1975 e 77, lançando apenas um compacto para a Som Livre (“Zebra” e “Masquerade”), Lulu trabalharia com outros músicos fundamentais para o rock brasileiro que tomou a cena a partir dos anos 80, Lobão e Ritchie. Ao lado do baixista Antonio Pedro (que passara pelos Mutantes e nos anos 80 seria um dos criadores da Blitz) e do cantor e tecladista Arnaldo Baptista (da lendária formação original dos Mutantes), Lulu também faria, em 1978, outro efêmero trio, Unziôtru.
Trabalhou por quase dois anos na gravadora Som Livre, ao lado dos produtores Guto Graça Mello e Ezequiel Neves (este, também o mais influente jornalista-roqueiro daquela época), selecionando as canções que entrariam nas trilhas das novelas da Rede Globo. Paralelamente, Lulu era um dos críticos de música da “Som Três”, então a principal revista especializada em música no Brasil.
Em 1980, com o nome de Luiz Maurício – por imposição de um diretor artístico da Polygram (atual Universal), que “ogramente” argumentava que Lulu não era nome de homem – ele lançou um compacto simples que passou em branco. Fracasso que não abalou o cantor e compositor. Novamente como Lulu Santos, um ano depois, voltaria à carga. Contratado pela gravadora Warner, lançaria em seqüência três compactos que emplacariam nas rádios as canções “Tesouros da juventude”, “Areias escaldantes” e “De leve” (esta, uma versão feita por Gilberto Gil e Rita Lee para “Get back”, de Lennon e McCartney).
Com “Areias escaldantes”, parceria com Nelson Motta, Lulu também participou do Festival MPB-Shell 1981. No ano seguinte, lançaria seu primeiro álbum, Tempos Modernos, que, produzido pelo ex-baixista dos Mutantes Liminha, reuniria as canções dos compactos e ainda “De repente Califórnia” (outra parceria com Nelson Motta, e sucesso na trilha do filme “Menino do Rio”), “Tudo com você” (com Fausto Nilo), “Palestina” (com Nelson Motta) e “Scarlet Moon” (que Rita Lee escreveu para a jornalista e atriz, mulher de Lulu desde 1978).
A parceria com Liminha prosseguiu nos dois álbuns seguintes, O Ritmo do Momento (1983) e Tudo Azul (1984). No repertório de ambos, mais sucessos radiofônicos, no que viria se tornar uma característica na carreira de Lulu, sempre marcando presença nas ondas. Em “O ritmo...” está aquele que é um dos maiores clássicos de Lulu e Nelson Motta, o bolero-havaiano-pop “Como uma onda (Zen-surfismo)”, e também “Adivinha o quê” e “Um certo alguém” (esta com letra de Ronaldo Bastos). Enquanto “Tudo azul”, além da canção-título (com Nelson Motta), é o disco de músicas como “O último romântico” (com Antonio Cícero), “Certas coisas” (com Nelson Motta), “Lua-de-mel”, “Tão bem” e “Respeito” (esta com Chacal).
No que viria a ser outra constante em seu trajeto, depois desses discos de canções pop redondas, como que abrindo um novo ciclo, ele faria um álbum mais experimental. Normal (1985), produzido pelo próprio Lulu, era também mais roqueiro, flertava com os sons afro-caribenhos em “Ny popoya y papa” e consolidava o Lulu letrista – das 11 faixas, apenas duas eram em parceria, com Nelson Motta, “De repente” e “Atualmente”.
Um ano depois, ele faria “Lulu” na BMG, disco que bateria seus recordes de vendagem na época, chegando a 200 mil cópias. Para isso contribuiu o desempenho de canções como “Casa”, “Condição” e “Um pro outro”.
O disco seguinte, Toda Forma de Amor, lançado em 1988, manteria o ritmo e os hits, incluindo “A cura”, “Cobra criada” e a faixa-título. A grande turnê de lançamento, que percorreu boa parte do Brasil e chegou também ao Festival de Jazz de Montreux, na Suíça, gerou o primeiro disco ao vivo do cantor: Amor à Arte. Entre esses, “Um certo alguém” e “Toda a forma do amor”, mas o repertório incluía ainda uma versão de Lulu para a beatle “Here comes the sun” (George Harrison), literalmente, “Lá vem o sol”; mais Beatles em “You’ve got to hide your love away” (Lennon e McCartney); e flertes com a MPB ao recriar Caetano Veloso (“Não identificado”) e Luiz Gonzaga e Humberto Teixeira (“Asa branca”).
Popsambalanço e outras levadas, de 1989, era marcado por influências que iam dos Jorges Ben Jor (seu samba-pop inspira a composição de abertura, “Brumário”) a Mautner (numa leitura bossa-novista de “Samba dos animais”, de Mautner e Nelson Jacobina).
Honolulu, em 1990, também ficou aquém de sua média de sucesso, mesmo que puxado pelo hit “Papo cabeça”. Dois anos depois, Lulu mudaria para a Polygram (atual Universal), onde gravou o roqueiro Mondo Cane. Ousado, e quase ignorado na época.
A passagem pela Polygram durou pouco e Lulu entrou na década de 90 sem gravadora. O sucesso nas rádios de “Tim medley”, produção com o DJ Memê que reunia “Leme ao Pontal” e “Rodésia” em arrebatadora levada disco, provou que Lulu não era carta fora do baralho. Foi o suficiente para a BMG acenar com novo contrato, e, produzido por Marcello “Memê” Mansur, ele voltar por cima com Assim Caminha a Humanidade (1992). A dançante faixa-título mantinha o ritmo insinuado pela recriação de Tim Maia, mas o disco reafirmaria sua ligação com a MPB em “Tuareg” (Jorge Ben), faria ponte com o rock de Neil Young (“Hey hey, my my”) e traria pepitas com o mais puro padrão lulusantos em canções como “Febre”, “Graal” e “Tudo igual”.
A parceria com o DJ e produtor e o mergulho na música das pistas seriam aprofundados em Eu e Memê, Memê e Eu (1995), disco que bateu a marca de um milhão de cópias vendidas. Ele trazia versões para sucessos de Lulu (“Casa”, “Toda forma de amor”, “Assim caminha a humanidade”, “Tudo bem”) ou de outros artistas: Tim Maia (“O descobridor dos sete mares”, “Sossego”), Roberto Carlos e Erasmo Carlos (“Se você pensa”) e Marina Lima e Antonio Cícero (“Fullgás”).
De 1996, Anti Ciclone Tropical, nova produção de Memê, é introduzido por um dos grandes sucessos de Lulu Santos, “Aviso aos navegantes”. Em “Assaltaram a gramática II”, a parceria de Lulu com o poeta Waly Salomão, que fora lançada pelos Paralamas, ganhou um terceiro parceiro, Gabriel O Pensador, que também participou da gravação.
Tempo de revisão, com Lulu Acústico, o registro de sua participação na série da MTV. As 23 faixas desse CD duplo funcionam como síntese da obra de um mestre da canção. Tem “Condição”, tem “Aviso aos navegantes”, tem “Sereia”, “Tempos modernos”, “Um certo alguém”, “Como uma onda”, “Casa”, “Sábado à noite”, “Tudo bem”, “De repente Califórnia”...
Passado relido, Lulu rodou boa parte dos anos 2000 e 2001 com o show “Acústico”. E recarregou as baterias criativas para seu primeiro disco de inéditas no novo século/milênio, Programa (2002), produção de dois músicos de sua banda, Alex de Souza e Christiaan Oyens. Canções como “Do outro mundo”, “Amém” e “Todo universo” buscavam mais desafios, num disco que também inaugurava uma parceria com o sempre moderno bossa-novista Marcos Valle e com Ed Motta, “Walkpeople”, e reunia em “4 do 5” Lulu e os Paralamas.
Bugalu, em 2003, trouxe de volta as mãos e o cérebro do DJ Memê, que assinou a produção e programou muito dos barulhinhos bons e eletrônicos que pontuam o disco. O compositor Lulu esbanja ótima forma em canções como “Já é”, “As escolhas” (esta gravada num dueto com o cantor Pedro Mariano), “Língua presa” (nova parceria com Marcos Valle, que participa com seus Fender Rhodes e teclados), “Delete” e “Jahu”.
Em 2004, nova revisão de sua carreira com o disco Ao vivo MTV, produzido por Paul Ralphes. Nele, algumas das muitas músicas que invadiram as ondas radiofônicas.
Discografia:
Tempos Modernos (1982)
O Ritmo Do Momento (1983)
Tudo Azul (1984)
Normal (1985)
Lulu (1986)
O Último Romântico (1987)
Toda Forma De Amor (1988)
Amor A Arte (1989)
Popsambalanço e Outras Levadas (1989)
Honolulu (1990)
Mondo Cane (1992)
Assim Caminha a Humanidade (1994)
Eu e Memê, Memê e Eu (1995)
Anticiclone Tropical (1996)
Liga Lá (1997)
Calendário (1999)
Acústico MTV (2000)
Programa (2002)
Bugalu (2003)
MTV Ao Vivo (2004)
Letra & Música (2005)
Longplay (2007)
digg
delicious
facebook
google
rec6
twitter
yahoo my web
stumble upon




